sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A Universidade que eu tenho... e a Universidade que eu quero!!!!









A Ueg que eu tenho... E A UEG QUE EU QUERO!!!!!!!!! Se você assim como eu quer o melhor; quer a tão sonhada excelência, compartilhe... ou então continue sendo autodidata.

Fui estudante de graduação entre os anos de 2001 e 2007, na UFU em Uberlândia e um dia desses estava me lembrando dos seminários que tive que apresentar em sala de aula. Lembro-me com detalhes, pois isso aconteceu em apenas duas ocasiões.
Atualmente estou cursando Farmácia na UEG em Itumbiara e vou te confidenciar que não sei ao certo quantos seminários já apresentei. Já devo ter apresentado por volta de 40 seminários. Em algumas disciplinas cheguei a apresentar 3 trabalhos, em um mesmo semestre.
É preciso pensar com cuidado o que isso significa. E principalmente em que momento esta virada aconteceu com tanta força. É inegável que um bom trabalho de pesquisa com apresentação pode agregar muito valor ao aluno, tanto em relação ao aprendizado quanto ao desenvolvimento pessoal, já que no cotidiano profissional será necessário fazer apresentações em público. Mas quando observamos que em grande parte das disciplinas os conteúdos são ministrados por estudantes, alguma coisa está errada...muito errada!!!!!!
Em algumas disciplinas é normal a apresentação e orientação de trabalhos, como por exemplo, as disciplinas de Iniciação as Ciências Farmacêuticas; entre outras menos técnicas, ou mesmo de pesquisa. Em outros casos são seminários para conclusão, com poucas horas-aula, justificando pela motivação que pode gerar nos alunos, além do conteúdo que pode ser trabalhado.
Mas o que dizer quando são disciplinas teóricas, do tronco principal da grade de ensino, com mais da metade da carga horária sendo de seminários? Ou ainda quando o próprio livro-texto é dividido entre os alunos para que estes apresentem o conteúdo?
Já tive professores que chegaram no primeiro dia de aula com o livro da disciplina, dividiu o mesmo em capítulos, e avisou aos alunos que a partir da próxima aula seriam chamados em ordem alfabética para apresentarem os capítulos durante as aulas do semestre...
Uma parte dos professores acredita que o aluno pode ter um bom desempenho na apresentação de seminários, mas para outra parte, o seminário “comendo” parte significativa das horas-aula de uma disciplina é apenas um pretexto para esconder sua incompetência em desenvolver 60 horas-aula de estudo por completo.
A verdade é que uma parte dos professores se esconde terceirizando suas aulas aos alunos, até porque não têm leitura e didática suficientes para enfrentar 30/40 alunos durante o semestre inteiro.
Outros acabam repassando a forma de ensinar nos programas de pós-graduação, onde a dinâmica é totalmente diferente, e pouco se importam se os estudantes estão ou não aprendendo o conteúdo obrigatório.
Nos cursos de farmácia a situação é mais dramática, pois no país houve grande expansão do número de faculdades e alunos, sem que a formação de professores acompanhasse este ritmo.
Por exemplo, há 15 anos eram 5 mil professores pro curso de farmácia no Brasil. Hoje existem por volta de 30 mil profissionais. É simplesmente impossível multiplicar por 6 o número de bons profissionais em tão pouco tempo. O resultado está aí.
Como as Federais possuem pacotes mais atrativos (salário e estabilidade), é natural que consigam os melhores professores, mas o que dizer no caso das demais?
Os 40 seminários que já apresentei foram em uma Universidade Estadual, o que dizer do restante das instituições?
Como também sou um professor “antiquado”, utilizo minhas 60 horas da melhor forma possível, dando todas as aulas e aplicando as provas, pois ainda não consegui encontrar um método mais adequado de avaliação. Mesmo reconhecendo que o mundo está mudando rapidamente, e que será preciso uma nova metodologia, ainda não mudei minha forma de ensinar.

Talvez o errado seja eu...