segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A saudade do que realmente vivi

E

Eu sinto falta de ter menos MSN, Facebook, menos e-mails, menos celular. Sinto falta de poder andar de uma ponta a outra da cidade apenas para namorar, ou deitar no tapete do quarto de um amigo e falar sobre qualquer coisa; ou ainda revirar toda a bagunça do quarto dele atrás daquele meu cd ou livro que há tempos se foi emprestado e que nunca mais vi. De dormir deixando o melhor amigo falando sozinho, enquanto falava sobre algo sério e importante. Das viagens de horas a fio acompanhado da pessoa que você mais amava.
Os segredos compartilhados, as piadas internas. Saudades até das trapalhadas coletivas ou individuais que só nós mesmos conhecíamos. Às vezes bate aquela falta da “turma do duvido” com nossas viagens inesquecíveis rumo a Bananal com 15 ou 20 pessoas; da “turma da Cuca” com nossos momentos de vibração e até daqueles de tensão onde rolava um tríduo recorrente: discutíamos, cada um tomava um café no seu canto e depois voltavamos ao trabalho dando risada um do outro. Das madrugadas de trabalho e dos papos às 5h da manhã naquela hora que todo mundo queria, mas ninguém conseguia dormir pra acordar novamente às 7h.
Sinto falta de cortar caminho para pegar o ônibus atravessando o pontilhão da linha de trem, parando a cada metro para rir de doer a barriga. Sinto falta de tomar “ki-suco” ou guaraná “mantiqueira” comendo pão com mortadela antes de assistir a aula no colégio técnico, de ir ao cinema pra ver aquele filme ruim de dar dó. De fazer “reunião” com os amigos pra colocar tudo “em pratos limpos”.
A falta que me faz as caminhadas e a academia que eram regadas a muitos casos divertidos, gargalhadas e falta de fôlego. Vontade de dividir a batata “ruffles” com mais 5 pessoas e brigar pra ver quem comia o farelo do pacote. Comprar um saco de 1kg de amendoim salgado e comer tudo num dia só, ou tomar vinho as 4h da tarde no meio de um dia de trabalho. De ir pras piores festas e ainda ter muita história pra contar no dia seguinte.

Hoje tudo é tão breve, tudo é tão virtual, tão tecnológico!

As viagens continuam sendo longas, mas a única companhia é locutor no som do carro.
Eu quero morar a um quarteirão dos meus amigos, não mais a quilômetros e quilômetros de distância. Quero vê-los sentados no chão do meu quarto e não mais por fotos e webcam. Quero escrever bilhetes que serão passados de mão em mão e não e-mails, e que se forem e-mails, me perdoem os que não gostem, mas serão os mais longos para pelo menos tentarem saber o que sentia no momento.
Saudades dos amigos que me tiraram grandes pedaços e me deram de volta tantos outros gigantescos que me é impossível desfazer. Guardo todos bem aqui, amontoados em caixas e envelopes dentro do meu guarda-roupa ou espalhados pelas gavetas ou cantos da casa. Guardanapos, fotos, canudos, CDs (“roubados”), bilhetes, cartas, papeis de bala e chocolate, agendas, cadernos com meus textos que talvez nunca sejam publicados, cartões, chaveiros e tantas outras coisas que compõe meu imenso tesouro.
É claro que a vida se encarregou de me trazer novos e belos amigos, tão presentes quanto esses antigos. Mas hoje eu reservo todo o meu carinho e apego a quem fez parte da divertida e feliz história da minha adolescência e da minha juventude.

POR FIM ACABEI ACEITANDO


Por fim acabei aceitando,
Que meu corpo, não é imortal.
que ninguém, nesse mundo é o tal.
Todo mundo envelhecerá
E por mais que alguém sempre tente,
ninguém ficará pra semente.

Por fim acabei aceitando,
que se ainda estou vivo no mundo,
É para tentar dar um pouco de mim.
ser alguém para o meu semelhante
caminhar e seguir sempre avante,
e um dia por certo partir.

Por fim acabei aceitando
que meus pais e irmãos não durariam para sempre.
que meus filhos todo dia um pouco,
caminhariam sem precisar de mim.
Que eles não eram como antes eu supunha,
propriedade exclusiva só minha.
E que a liberdade e livre escolha
era um direito deles também.

Por fim acabei aceitando
Que todos meus bens e meus dons
foram a mim confiados e concedidos
apenas por empréstimo.
E que nesse mundo eu sou apenas
um simples caseiro.
Cuidando da propriedade do nosso
Proprietário e Senhor.

Por fim acabei aceitando.
que um dia deixarei esse mundo,
sem nada do que eu juntei
que meus bens, e todos meus tesouros
partilhados seriam um dia
por outros que no futuro estarão por aqui.

Por fim acabei aceitando,
que meu apego aos bens materiais
só dificultariam um dia ainda mais,
a minha despedida, e a minha viagem de volta.

Por fim acabei aceitando, que meu carro,
minha conta bancaria,
A minha casa na praia.
Nada disso realmente jamais foi propriedade minha,
estava tudo consignado.
Não foi fácil ! Mas eu aceitei.
Tive que aceitar até que eu nunca sou nada.
e que o mundo continuaria sua longa caminhada
sem precisar mais de mim.

Virei um campo de Lutas
e no meio das escaramuças
eu de repente parei.
Parei, quando notei,
o meu orgulho ferido,
a prepotência abalada
a minha aparência mudada,
pelos muitos anos vividos

Então matei minha arrogância.
a minha enorme ganancia
me enchi de enorme esperança.
e procurei encontrar só a Paz.
Pois se não é muito fácil mudar.
mais difícil ainda é, aceitar..