terça-feira, 24 de janeiro de 2012

E SE...


Mas e se eu não tivesse pulado no rio de um lugar tão alto? Estaria mais feliz agora? Será que ainda estaria andando? Ou teria acontecido qualquer outro acidente que me deixaria “tetraparaplégico”? O famoso “e se” é uma das armadilhas mais cruéis da mente do ser humano. É capaz de enlouquecer qualquer um. Vejam bem: E se eu não tivesse pulado? E se Michael Jackson tivesse nascido branco? E se a pólvora não tivesse sido descoberta? Viveríamos em um mundo de paz? O “E se” nos leva a conclusões incertas sobre coisas que nunca saberemos. É uma tentativa frustrada de tentar aliviar um momento ruim, pois se você perceber, essa brincadeira de “e se” só acontece em relação a momentos ruins. Nunca questionaríamos ter ganhado na Mega-Sena, certo? Então porque ficar se torturando por algo que não pode ser mudado? Uma das coisas que sempre evitei foi esse tipo de questionamento. Acho que se tivesse entrado nessa “nóia” estava chorando em cima de uma cama de hospital até agora. Meu único pensamento quando soube que não ia mais andar foi (desculpem o palavreado): “Fudeu! E agora? Como vou retomar minha vida?”. E foi em cima desse pensamento que fui buscar respostas pra voltar a minha vida normal, mesmo que de uma forma diferente. Quando o “e se” tenta romper meus pensamentos, penso logo que se meu caminho fosse outro não teria conhecido pessoas que hoje são extremamente importantes, quase que indispensáveis, na minha vida. Estaria trabalhando em outro lugar, e quem sabe, poderia estar infeliz. Não tenho como saber. Só sei que não dá pra contar com “e se”. Afinal, ele não existe. Agora pense: E se eu não tivesse escrito esse post? Achariam que sou menos louco? Vai saber…

ACEITAÇÃO





Acho que uma das coisas mais difíceis na vida é aceitar. Seja lá o que for. Que estamos envelhecendo, que o relacionamento acabou, que o seu trabalho não é que esperava, aceitar que o outro é diferente, que o Flamengo não foi campeão e sim o Corinthians (Eeeeeeeeeeeeeeeee!).
Enfim, lidar com a aceitação pode ser bem complicado, ainda mais quando algo acontece de forma inesperada. Você não pediu pra nada daquilo acontecer, e ainda tem que aceitar? Demais, né! No caso de uma lesão na medula a aceitação é um nó na cabeça, e ainda não sei dizer se existe uma completa aceitação. Sempre vai ter aquele fiozinho de dúvida ''e se''. Mas que talvez deixemos de lado (eu pelo menos deixo) porque é uma área sensível demais e que não leva a lugar algum.
Minha escolha na época do acidente foi seguir em frente e aceitar que pelo menos naquele momento eu não ia voltar a andar. E assim sigo até hoje. Voltei a estudar, trabalhar, namorar e não me prendi muito a ficar martelando “porquês”…” e se's ''. Não sei se foi a melhor atitude, mas com certeza foi o que consegui. Cada um lida com os acontecimentos da melhor forma que pode, mas o fato é que só podemos seguir em frente a partir do momento que aceitamos determinada situação. Lutar contra algo que não vai mudar é dar murro em ponta de faca.
Por favor, não vamos confundir aceitação com comodismo. Quem se acomoda também não sai do lugar e sofre do mesmo jeito. Levei uns dois anos pra entender e aceitar que os remédios e fisioterapias já tinham me levado ao limite. Foi difícil pra caramba, pra não dizer pra caral…, ver que a evolução dos movimentos era cada vez menor até se tornarem praticamente imperceptíveis. Podia estar fazendo tudo isso tudo até hoje, mas acho que minha cabeça ia estar embananada e provavelmente não teria conquistado tantas coisas se tivesse ainda ligado no voltar a andar.
Mas isso é de cada um. Estou aqui apenas dividindo um pouquinho da minha experiência. Mas posso dizer que, no meu caso, aceitar foi muito difícil porém com certeza foi o que me deixou livre para seguir em frente.