sexta-feira, 29 de abril de 2011

ANALISANDO


Este silêncio é assustador.
Não porque talvez ele não seja necessário,
mas porque mesmo sendo necessário, ele machuca.
E ando muito ferida pra suportar um pouco mais de dor.
Então eu queria que alguém me dissesse
que vai ficar tudo bem, sabe?
Porque esta incerteza toda tem me desnorteado demais.
E uma ansiedade aguda toma conta de mim
minuto a minuto.E ainda há a saudade.
E mesmo que as previsões sejam positivas,
tudo ainda me parece tão longínquo!
E estou com pressa, e sede e fomes demais.
Percebe como minhas palavras estão respirando com dificuldade?
Então eu te peço pra não me deixar tão sozinha assim nesta fase.
Mesmo que haja sol e as ondas vão e venham incansavelmente
me lembrando do movimento da vida,
a sua voz me faz tanta falta quanto uma brisa.
Não que tenha me faltado companhia, mas em algum momento
o abraço termina porque as pessoas têm as suas vidas.
E ainda, o barulho das cidades
têm me incomodado tanto quanto este silêncio denso.
Então eu fico sem saber pra onde ir.
E fico tão sonolenta e encolhida no meu canto
até que alguém venha me abraçar novamente.
E às vezes esse socorro demora tanto
por causa da minha necessidade
sempre tão urgente de tudo. De paz.
Por não querer sufocar ninguém, fico aqui, sufocada.
Só estou te dizendo estas coisas porque acho estranho
você não ter a menor curiosidade
em saber como tenho me sentido. Depois de tudo.
Porque não existe um segundo sequer
em que eu não pense e queira saber e deseje que você esteja bem.
Só isso.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

ESCREVENDO...SOBRE DEVANEIOS


Estou escrevendo para não gritar... Para não acordar os que dormem felizes lado a lado, Os que repousam aconchegados, os que se encontram e continuam juntos e não precisam sonhar, Porque não dizem adeus.... Estou escrevendo para não gritar, para enfunar o coração ao largo... E as palavras escorrem salgadas como um córrego de águas mortas. Tão perto, e nem percebes minha insônia. Nem ouves a confidência que põe nódoa no papel para não ter que acordar-te, e se transmuda em palavras, que são estátuas de sal. Estou escrevendo para não gritar. Para não ter tempo de acompanhar a noite, para não perceber que estou só, Irremediavelmente só, e que te trago comigo, sem outra alternativa que o pensamento, Cela em que me debate a olhar a lua entre grades. Estou escrevendo para não gritar. Para não perturbar os que amam, e se juntam e se estreitam, E sussuram na sombra e passeiam ao luar, Para que as palavras chovam Num dilúvio silenciosamente e me alegrem, e me afaguem , E me deixem pela noite a dentro como um corpos em vida e sem alma, a flutuar....